O fornecedor cobrou o frete depois do pedido: como definir despesas de entrega sem confundir custo e risco

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Em resumo

Uma cobrança de frete depois da confirmação do pedido não altera, sozinha, o que foi contratado. Antes de pagar ou recusar, confira o preço aceito, o local da entrega, as despesas incluídas e quem assumiu o transporte. O art. 490 do Código Civil atribui ao vendedor as despesas da tradição, salvo cláusula em contrário; isso não significa que toda venda inclua transporte gratuito até qualquer endereço. A regra sobre o lugar da entrega e a distribuição dos riscos precisam ser analisadas separadamente.

Verificação jurídica: 26 de outubro de 2026. Orientação para compras e fornecimentos empresariais no Brasil; operações sujeitas a normas especiais exigem conferência adicional.

Neste artigo
  1. O frete apareceu depois: a primeira pergunta é o que já estava fechado
  2. O que o art. 490 resolve — e o que ele não resolve
  3. Separe quatro decisões que o pedido costuma misturar
  4. Monte uma matriz de despesas antes de aprovar o valor
  5. Preço com entrega incluída: delimite o serviço, não apenas o frete
  6. Frete pago pelo comprador: há dois modelos diferentes
  7. Como calcular e conferir sem cobrar duas vezes
  8. Carga, descarga e embalagem: escreva o limite físico da obrigação
  9. Despesa extra exige evento, prova e critério
  10. Como responder à cobrança sem aceitar uma alteração involuntária
  11. Se houve acordo novo, delimite quais pedidos serão afetados
  12. Erros que tornam a cláusula de frete difícil de executar
  13. Perguntas frequentes
  14. Conclusão
  15. Fontes

Para organizar pedidos recorrentes, o modelo de Contrato de Fornecimento oferece um ponto de partida para definir entrega, retirada, transporte e responsabilidades. A seleção das condições precisa corresponder à operação efetivamente negociada, e não apenas ao nome usado pelo setor comercial.

O frete apareceu depois: a primeira pergunta é o que já estava fechado

A empresa aprova um pedido de R$ 18.000,00. No dia da expedição, recebe uma mensagem: “Falta pagar R$ 850,00 de frete para liberar”. O comprador entende que o orçamento cobria a entrega. O vendedor diz que o preço era apenas da mercadoria. O problema não se resolve escolhendo quem tem a nota fiscal na mão: é necessário reconstruir a contratação.

Separe a proposta, sua versão, o aceite, o pedido de compra, a confirmação do fornecedor e as mensagens sobre retirada ou entrega. Uma planilha interna do vendedor que nunca foi comunicada ao comprador não tem o mesmo peso de uma condição aprovada pelos dois. Da mesma forma, uma instrução unilateral de compras enviada depois de o vendedor aceitar outra condição não muda automaticamente o acordo anterior.

Há diferença entre três situações: o frete foi omitido; o frete foi expressamente excluído, mas seu valor ainda dependia de cotação; ou o frete estava incluído e o vendedor quer cobrar novamente. Em cada uma, a resposta e os documentos necessários são diferentes. Também pode existir uma quarta hipótese: a empresa pediu depois uma mudança de operação que efetivamente gerou custo adicional.

Os arts. 427 e 431 do Código Civil ajudam a distinguir proposta e contraproposta. Uma resposta que aceita a mercadoria, mas acrescenta uma nova condição de frete, pode representar nova proposta, e não simples confirmação. Já a interpretação do negócio considera boa-fé, práticas pertinentes e comportamento das partes, nos termos do art. 113. Por isso, não se deve reduzir a análise a uma frase isolada do último e-mail.

O que o art. 490 resolve — e o que ele não resolve

Na compra e venda, o art. 490 do Código Civil distribui despesas quando as partes não estipularam solução diferente: escritura e registro ficam com o comprador, e as despesas da tradição, com o vendedor. Para o fornecimento de mercadorias, o ponto relevante é o custo de realizar a entrega jurídica e material no modo e lugar devidos. A norma admite cláusula em contrário; portanto, não proíbe que o comprador assuma custos claramente identificados.

A palavra “tradição” não deve ser usada como atalho para prometer transporte nacional gratuito. O art. 493 estabelece que, sem estipulação expressa, a tradição ocorre no lugar onde a coisa se encontrava ao tempo da venda. Uma operação de retirada no depósito é diferente de uma venda com entrega ajustada na fábrica do cliente. Primeiro se determina onde e como a obrigação deve ser cumprida; depois se identifica a quem cabe cada despesa.

O contrato pode prever preço com entrega incluída, transporte contratado diretamente pelo comprador, reembolso de uma cotação aprovada ou divisão de custos por etapas. O que não funciona bem é deixar o encargo aparentemente incluído durante a negociação e transferi-lo apenas quando a mercadoria está pronta. Uma alteração válida exige fundamento no acordo ou nova composição entre as partes, observadas as circunstâncias do negócio.

Não confunda a regra supletiva com um orçamento de todas as atividades logísticas. Desmontagem de uma máquina, içamento, descarregamento, movimentação interna e instalação podem ser serviços distintos, mas não se tornam adicionais apenas porque o fornecedor lhes deu outro nome. Se estavam compreendidos no resultado e no preço prometidos, a cobrança posterior precisa ser confrontada com essa promessa.

Antes de aceitar o frete adicionalRecuperar o acordoProposta, versão, pedido e aceite.Identificar a entregaOrigem, destino e atividades incluídas.Conferir o adicionalBase contratual, causa e comprovantes.Registrar a soluçãoCorreção, recusa fundamentada ou novo ajuste.
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Fluxo: conferir proposta e aceite; identificar a operação de entrega; comparar a cobrança com o que foi aprovado; documentar a solução.
O exame começa no acordo original; uma cobrança nova não prova, sozinha, autorização para aumentar o preço.

Separe quatro decisões que o pedido costuma misturar

Quem contrata: é a parte que seleciona o transportador e assume obrigações perante ele. Quem paga economicamente: é quem suporta o custo final, ainda que outra parte antecipe o dinheiro. Onde se considera cumprida a entrega: é o ponto operacional e contratual definido. Quem suporta determinado risco: depende da regra legal aplicável, do pacto válido e da causa do evento.

Essas respostas podem não coincidir. O fornecedor pode contratar a transportadora, pagar a fatura e receber do comprador um reembolso previamente limitado. Isso não autoriza concluir, sem ler a cláusula, que todo risco da viagem passou ao comprador. Inversamente, o comprador pode contratar a coleta, mas o fornecedor continuar responsável por dano que provocou ao embalar ou carregar inadequadamente.

O art. 492 trata, como regra, dos riscos da coisa até a tradição. Seus parágrafos contemplam situações específicas, inclusive a mora do comprador em receber a coisa disponibilizada conforme o combinado. O art. 494 disciplina a expedição para lugar diverso por ordem do comprador e ressalva o afastamento das instruções pelo vendedor. São disposições sobre riscos, não uma autorização genérica para qualquer cobrança de frete.

Não transforme essas regras em uma renúncia antecipada a toda responsabilidade. Uma cláusula que distribui o risco de um evento não deve esconder a responsabilidade por descumprimento de instruções, embalagem inadequada ou outra conduta imputável. O contrato de transporte também tem sua própria disciplina e pode envolver normas especiais que o contrato de compra e venda não afasta.

Monte uma matriz de despesas antes de aprovar o valor

ItemO que definirEvidência para conferir
Transporte principalOrigem, destino, modalidade, responsável pelo custo e forma de contrataçãoCotação vinculada ao pedido e confirmação aceita
Embalagem de expediçãoPadrão necessário, inclusão no preço e eventual solução especial solicitadaEspecificação do produto e composição comercial
Carga e descargaEquipe, equipamentos, ponto de recebimento e limites da operaçãoFicha logística aceita pelas partes
Movimentação internaSe a obrigação termina na doca ou inclui transporte até a área de usoDescrição do local e do serviço contratado
SeguroQuem contrata, cobertura pertinente e tratamento do custoDocumentação da contratação, sem presumir cobertura irrestrita
Reentrega ou retornoEvento que pode gerar custo, apuração da causa e aprovação aplicávelRegistro da tentativa, aviso e comprovantes da despesa
Despesa extraordináriaHipóteses, orçamento prévio, aprovador e teto autorizadoAceite específico com valor e justificativa

A tabela não fixa quem sempre deve pagar cada item. Ela organiza as perguntas que o contrato precisa responder. A empresa deve preencher a distribuição de acordo com o preço negociado, o local da tradição e as condições reais de acesso. Se a coluna “evidência” estiver vazia, o problema não será resolvido apenas mudando o nome da cobrança no boleto.

Não use a matriz para substituir obrigações legais de transporte, segurança ou tributos. A distribuição econômica entre comprador e vendedor não determina, por si só, quem deve emitir cada documento fiscal ou cumprir deveres perante terceiros. Essas questões precisam de conferência contábil e regulatória específica, principalmente em operações interestaduais, cargas especiais ou contratação de transporte rodoviário.

Preço com entrega incluída: delimite o serviço, não apenas o frete

Quando a intenção é receber a mercadoria por um preço total, a cláusula deve identificar o endereço, o ponto de entrega e as atividades incluídas. “Frete grátis” pode ser uma expressão comercial insuficiente se não esclarece a descarga de uma máquina pesada ou o acesso a um pavimento superior. Não deixe para o motorista e o porteiro negociar o alcance do preço na chegada.

Exemplo adaptável — preço com entrega incluída: “O preço do pedido inclui o transporte dos produtos de [origem] até [endereço e ponto de entrega], a embalagem de expedição descrita em [referência] e as atividades de [carga/descarga especificadas]. O Fornecedor contratará e remunerará o transporte necessário a essa operação. Não haverá cobrança separada desses itens à Compradora. Serviços não compreendidos, expressamente identificados como [itens], dependerão de orçamento e aprovação escrita antes da execução.”

Complete a redação com a janela de recebimento e a documentação do aceite logístico. Se o fornecedor promete entrega descarregada na doca, não use outra cláusula dizendo que toda descarga é do cliente. Se a empresa oferece empilhadeira, descreva essa colaboração e a consequência de indisponibilidade imputável, sem transformar qualquer atraso em autorização ilimitada de cobrança.

A inclusão do frete no preço não significa que seu custo seja inexistente. Significa que não será exigido adicionalmente ao valor acordado para aquela operação. O fornecedor pode levar esse custo em consideração ao formar sua proposta. Se quiser oferecer modalidades distintas, apresente desde o início o preço para retirada e o preço para entrega, para que a escolha seja consciente.

Frete pago pelo comprador: há dois modelos diferentes

No primeiro, o comprador contrata diretamente o transportador. O fornecedor prepara a mercadoria e cumpre as obrigações de disponibilização e carga que assumiu. O comprador recebe a cobrança do transporte, mas ainda precisa conhecer o local de retirada, as dimensões, o peso informado, o tipo de embalagem e o horário de coleta. Sem esses dados, a cotação pode ser inadequada.

Exemplo adaptável — contratação direta: “A Compradora contratará e pagará diretamente o transporte a partir de [local de retirada]. O Fornecedor disponibilizará os produtos em [condições de embalagem e identificação], no período [janela], e realizará [atividade de carga pactuada]. A distribuição de custos aqui prevista não substitui a cláusula específica sobre entrega e riscos, nem exclui responsabilidade por descumprimento de obrigação própria.”

No segundo, o fornecedor contrata o transporte e repassa o custo. Esse repasse deve ter critério: valor fixo aceito, teto de reembolso, cotação identificada ou outra fórmula objetivamente verificável. Informe se há remuneração adicional pelo gerenciamento da operação. Chamar uma margem de “reembolso integral” sem revelar a composição pode criar conflito sobre o preço efetivamente aprovado.

Exemplo adaptável — contratação com reembolso limitado: “O Fornecedor poderá contratar o transporte descrito na cotação [identificação], aprovada pela Compradora em [data]. O reembolso ficará limitado a R$ [valor], mediante apresentação de documento da despesa vinculado ao pedido. Acréscimos dependerão de aprovação escrita de [cargo/canal] antes da contratação, ressalvadas apenas as providências urgentes e estritamente necessárias previstas em [procedimento específico]. Não haverá taxa de administração além da expressamente indicada.”

Na fase de negociação, a Proposta Comercial pode ajudar a registrar o escopo, o preço, a validade e a forma de aceitação. A utilidade prática é apresentar a condição logística antes do aceite; não é tornar obrigatório um adicional que o cliente nunca aprovou.

Três maneiras de definir o custoEntrega incluídaPreço total e serviços logísticos delimitados.Contratação diretaComprador contrata e paga o transportador.Reembolso limitadoFornecedor contrata; custo comprovado até o teto.
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Comparação entre preço com entrega incluída, transporte contratado pelo comprador e reembolso limitado ao fornecedor.
Escolha o modelo econômico e escreva a regra de riscos separadamente. As alternativas não são etapas de uma mesma operação.

Como calcular e conferir sem cobrar duas vezes

Considere um pedido de mercadorias de R$ 18.000,00, com transporte cotado em R$ 850,00 e descarga especial em R$ 300,00. Se todos os itens foram aprovados separadamente, o total econômico é R$ 19.150,00. Se o preço de R$ 18.000,00 já incluía o transporte, mas não a descarga especial aprovada depois, o total será R$ 18.300,00. O mesmo documento de transporte não pode justificar simultaneamente uma parcela já incluída e outra cobrança integral.

Em um reembolso com teto de R$ 1.000,00, se a despesa comprovada for R$ 920,00, o pagamento será de R$ 920,00, quando o pacto for de custo efetivo até o limite. O teto não vira preço mínimo. Se o fornecedor apresentar R$ 1.080,00, os R$ 80,00 excedentes precisam da justificativa e da aprovação previstas no acordo; o simples comprovante prova uma despesa, não necessariamente a obrigação de reembolsá-la.

Também pode existir preço fixo de logística de R$ 1.000,00, independentemente do gasto efetivo do fornecedor. Nesse caso, não se trata de reembolso puro, e o custo menor não implica automaticamente restituição da diferença. O texto comercial deve revelar essa escolha. A divergência nasce quando se vende “custo real” e se cobra “valor fixo”, ou quando o comprador aceita valor fixo e depois exige prestação de contas não combinada.

Para ratear um único frete entre pedidos, escolha uma base verificável: quantidade de volumes, peso, ocupação ou outro critério coerente. Exemplo: um frete comum de R$ 1.200,00 rateado por 60 volumes, dos quais 15 pertencem ao pedido A, atribui R$ 300,00 ao pedido A. O cálculo é 15 ÷ 60 × R$ 1.200,00. A validade comercial depende de o critério ter sido acordado, não apenas de a matemática fechar.

Carga, descarga e embalagem: escreva o limite físico da obrigação

“Entregar na empresa” pode significar disponibilizar os volumes na doca, descarregar no térreo ou transportar os produtos até um setor interno. Para uma caixa leve, a diferença parece pequena; para um equipamento industrial, envolve pessoas, equipamentos, seguros e condições de segurança. O contrato deve descrever o ponto físico em que termina cada atividade.

Indique quem fornece empilhadeira, guindaste, pessoal treinado e acessórios necessários. Não presuma que o motorista fará tarefas fora do serviço contratado. O preço negociado entre comprador e vendedor não autoriza descumprir regras de segurança, impor uma descarga insegura ou transferir automaticamente a terceiros uma obrigação assumida por uma das partes.

A embalagem deve ser compatível com o produto e com o transporte combinado. Uma embalagem especial solicitada para uma finalidade adicional pode ser objeto de preço próprio. Mas o vendedor não deve apresentar como extra inesperado a proteção normalmente necessária para cumprir a entrega que prometeu. Registre a especificação, o motivo da solução diferente e a aprovação do custo antes de produzi-la.

Despesa extra exige evento, prova e critério

Não é suficiente escrever “custos adicionais serão do cliente”. Identifique situações que podem alterar a operação: pedido de veículo diferente, necessidade de equipamento especial não incluído, mudança voluntária de destino, janela de recebimento incompatível com a informada ou segunda viagem decorrente de impedimento imputável à parte. Depois, defina como a causa será apurada.

Uma entrega frustrada pode resultar de erro do fornecedor, da transportadora, do comprador ou de fato externo. Se o veículo chegou fora da janela aceita ou no endereço errado por falha de expedição, não se deve repassar o retorno automaticamente. Se o comprador alterou o acesso sem informar e o serviço adicional foi necessário, há outro cenário. A análise deve ligar o custo ao evento e à obrigação descumprida.

Exemplo adaptável — despesas extraordinárias: “A parte que identificar necessidade de atividade logística não incluída comunicará sua causa, o serviço proposto, o valor e o impacto no prazo. A contratação dependerá de aprovação escrita de [responsável]. Quando a despesa decorrer de descumprimento imputável a uma parte, sua responsabilidade será apurada com os registros da ocorrência, sem cobrança em duplicidade nem prejuízo das normas legais aplicáveis.”

Estadia de veículo, piso mínimo de frete, vale-pedágio e outras obrigações do transporte rodoviário podem estar sujeitos a regras legais específicas. Não use os valores ou limites de um exemplo contratual como substitutos dessas normas. Quando a operação envolver esses encargos, a empresa deve verificar o regime aplicável com o responsável logístico e jurídico antes de fixar limites de reembolso entre vendedor e comprador.

Como responder à cobrança sem aceitar uma alteração involuntária

A resposta deve identificar o pedido, o valor discutido e os documentos que sustentam a posição da empresa. Solicite a cláusula ou a confirmação que autorizaria o adicional. Se houver apenas divergência de interpretação, proponha uma conciliação objetiva: separar parcela incontroversa, preservar a entrega quando viável e registrar o que continuará em análise.

Exemplo adaptável — pedido de esclarecimento: “Recebemos a cobrança de R$ [valor], referente ao frete do pedido [número]. Na proposta [versão/data], aceita em [data], consta [condição relevante]. Solicitamos indicar o fundamento contratual do adicional e encaminhar a cotação aprovada e a memória da cobrança. Esta solicitação não representa aceitação de alteração do preço. Propomos confirmar por escrito o tratamento da parcela discutida e o cronograma das obrigações não controvertidas.”

Se o financeiro decidir pagar para evitar uma paralisação relevante, registre precisamente qual valor foi pago, qual discussão permanece e se existe acordo sobre eventual devolução. Pagar “sob protesto” não garante, por si só, recuperação futura. A decisão deve considerar prova, contrato, urgência e alternativas, com análise jurídica quando o impacto justificar.

Comprovante não substitui autorizaçãoAutorizaçãoQuem aprovou o serviço e seu limite?ExecuçãoQual evento e qual serviço geraram o custo?CálculoHá duplicidade, crédito ou excesso sobre o teto?
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Três elementos independentes da conferência de frete: autorização, execução e cálculo.
A conferência reúne três elementos diferentes; o documento da despesa, isoladamente, não determina quem deve suportá-la.

Se houve acordo novo, delimite quais pedidos serão afetados

Uma solução comercial pode ser repartir a despesa excepcional, fixar um teto ou alterar a modalidade de entrega nos próximos pedidos. Escreva se o acordo resolve apenas o episódio ou modifica o contrato recorrente. Sem isso, um pagamento feito para liberar uma remessa pode ser usado como argumento de que o comprador aceitou a mesma cobrança para todas as entregas seguintes.

Exemplo adaptável — ajuste limitado: “Exclusivamente para o pedido [número], as partes ajustam que a Compradora suportará R$ [valor] do custo de [serviço], nas condições [descrição]. O ajuste não altera a distribuição de despesas dos demais pedidos nem reconhece cobranças não identificadas neste instrumento. Para pedidos confirmados a partir de [data], valerá a seguinte condição logística: [regra completa]. Permanecem preservadas as demais disposições compatíveis.”

Para registrar uma mudança consensual, o Termo Aditivo Contratual serve como base documental. Identifique o contrato original, a cláusula substituída, a vigência da alteração e os pedidos abrangidos. Não use o aditivo para atribuir consentimento retroativo que a outra parte não deu.

Erros que tornam a cláusula de frete difícil de executar

  • Usar apenas “CIF” ou “FOB”, sem explicar a operação, o local e as responsabilidades. Siglas não dispensam redação compatível com o negócio; referências técnicas precisam ser identificadas e adequadas ao modal.
  • Confundir quem recebe a fatura do transportador com quem assumiu economicamente o custo perante a outra parte.
  • Declarar que o risco passa “quando o frete é pago”, sem conectar a regra à entrega e às obrigações concretas.
  • Chamar custo fixo de reembolso e depois recusar a conferência da despesa efetiva.
  • Autorizar adicionais por qualquer mensagem operacional, sem definir quem pode aprovar valores.
  • Tratar silêncio como aceitação automática em todos os casos, ignorando o contexto e os requisitos legais.
  • Repassar despesas causadas por falha própria como se fossem sempre responsabilidade do destinatário.
  • Aplicar uma cláusula empresarial sem verificar eventual relação de consumo ou legislação especial.

A pessoa jurídica pode, conforme a situação, estar em uma relação de consumo. A análise não se encerra pelo fato de ambas as partes terem CNPJ. Se o Código de Defesa do Consumidor for aplicável, as regras de informação, oferta e controle de cláusulas também devem ser consideradas. Este roteiro não autoriza afastar essas proteções por uma declaração genérica de que o negócio é “B2B”.

Perguntas frequentes

O vendedor sempre paga o frete quando o contrato é omisso?

Não é possível responder apenas com essa frase. O art. 490 atribui ao vendedor as despesas da tradição, salvo pacto diferente, mas é necessário identificar o local e o modo de entrega. O art. 493 contém uma regra para o lugar da tradição na falta de estipulação expressa. Transporte até um destino adicional não deve ser presumido sem analisar o negócio.

O fornecedor pode acrescentar o frete na nota depois do aceite?

A inclusão no documento de cobrança não altera sozinha o preço contratado. Confira se o frete já estava previsto, se dependia de cotação aprovada ou se houve solicitação posterior de serviço adicional. A regularidade fiscal do documento e a obrigação comercial de pagar o adicional são verificações distintas.

Quem paga o frete também assume toda avaria?

Não necessariamente. O custo, a contratação do transporte, o local da entrega e os riscos são questões separadas. Examine os arts. 492 a 494 do Código Civil, o pacto válido e a causa do dano. Pagar a viagem não exonera automaticamente o vendedor de falha própria nem elimina responsabilidades do transportador.

Posso usar apenas “frete por conta do cliente”?

É preferível completar a cláusula. Identifique se o cliente contratará diretamente ou reembolsará o fornecedor, quais serviços estão abrangidos, o valor ou critério, o local e o procedimento de aprovação. Registre também a regra de riscos em disposição própria, sem depender de uma interpretação implícita da frase.

O recebimento da mercadoria significa aprovação do adicional?

Não existe uma resposta automática para toda situação. O recebimento comprova fatos da entrega, mas o comportamento das partes pode influenciar a interpretação do negócio. Oriente a equipe a registrar a recepção física sem assumir poderes de aprovar despesas não autorizadas e comunique a divergência de forma coerente e tempestiva.

Se o frete custou menos que o teto, pago o teto inteiro?

Se o pacto é de reembolso do custo efetivo até um limite, não: o teto restringe a despesa reembolsável, não fixa um mínimo. Se foi contratado preço fixo de logística, a conclusão pode ser diferente. A redação precisa deixar claro qual desses modelos foi escolhido.

Uma segunda tentativa de entrega pode ser cobrada?

Depende do acordo, da causa da tentativa frustrada e dos comprovantes. Não presuma responsabilidade do comprador só porque ele é o destinatário. Verifique endereço, agendamento, horário, condições informadas e eventual falha do fornecedor ou transportador, além de normas especiais incidentes.

Qual documento usar para mudar o frete dos próximos pedidos?

Registre a mudança consensual em aditivo ou outro instrumento adequado, vinculado ao contrato e às confirmações de pedido. Defina a data inicial, os pedidos afetados e o tratamento dos que já foram aceitos. Uma tabela nova enviada unilateralmente não deve ser tratada como alteração automaticamente aprovada.

Conclusão

Uma boa cláusula de frete permite responder quem contrata, quem paga, o que está incluído, onde termina a entrega e como são tratados riscos e despesas extras. O art. 490 fornece uma regra para a falta de ajuste, mas não substitui a identificação do lugar da tradição nem a leitura do que foi efetivamente aceito. Antes de pagar um adicional inesperado, confira os documentos; antes de fechar o próximo pedido, elimine a dúvida no preço e na operação.

Fontes

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